Tema da integração da comunidade paquistanesa reuniu associações e corpo diplomático

A integração da Comunidade Paquistanesa em Portugal esteve no centro do debate promovido pelo Observatório do Mundo Islâmico, numa mesa-redonda realizada na sede da União das Associações do Comércio e Serviços (UACS), em Lisboa. O evento reuniu especialistas, representantes institucionais e líderes de associações paquistanesas para discutir os desafios e oportunidades de integração desta comunidade em crescimento. Além da Embaixada do Paquistão, estiveram também presentes representantes diplomáticos da Arábia Saudita, da Federação Russa, do Irão, da Nigéria e da Turquia.

Na abertura do encontro, Malik Umair Khan, Secretário e Chefe de Chancelaria da Embaixada do Paquistão, destacou os 75 anos de relações diplomáticas entre Portugal e o Paquistão. Sublinhou que, apesar da histórica cordialidade entre os governos, foi apenas nos últimos 10 a 15 anos que os laços entre as populações se fortaleceram, impulsionados pelo aumento da migração paquistanesa para Portugal. Uma comunidade que, atualmente, conta com cerca de 30 mil pessoas.

Uma das principais questões abordadas foi a barreira linguística, considerada um dos maiores entraves à integração socioeconómica. “O urdu é a língua oficial do Paquistão e a maioria do ensino é feito nessa língua. Embora muitos paquistaneses compreendam inglês, o português continua a ser um grande desafio”, afirmou Malik Umair Khan. Destacou ainda que a maioria dos migrantes iniciais eram trabalhadores semiqualificados ou não qualificados, o que dificultou ainda mais a adaptação.

Mesa-Redonda Comunidade Paquistanesa em Portugal

Fazal Ahmad, Presidente da Comunidade Ahmadiyya, reforçou essa preocupação, salientando que muitos jovens migrantes chegam a Portugal com baixos níveis de escolaridade, o que torna a aprendizagem do português mais difícil. Para mitigar este problema, a Comunidade Ahmadiyya tem promovido iniciativas de apoio, incluindo aulas de inglês e português nos seus centros e encontros diários para discutir questões culturais, sociais e religiosas.

Já Gazanfar Javid, Presidente da Associação Pakistan Overseas Community, apontou a falta de uma estratégia de longo prazo da comunidade paquistanesa em Portugal. “Muitos membros da comunidade olham para Portugal como um ponto de passagem. Assim que obtêm a nacionalidade portuguesa, tentam mudar-se para o Reino Unido ou para a Alemanha, onde os salários são mais elevados”, observou. No entanto, sublinhou que aqueles que decidem estabelecer-se definitivamente em Portugal, trazendo as suas famílias e aprendendo a língua, encontram maiores oportunidades de integração.

Também concordando com a barreira linguística, Serfraz Fransis, representante do Partido Pakistan Muslim League, criticou a insuficiência de vagas para aulas de português no setor público e a morosidade dos processos de legalização e reagrupamento familiar. Segundo ele, a regularização de um imigrante pode demorar entre dois a três anos, enquanto a reunião familiar pode levar até um ano.

A esse propósito, Cristina Casas, Diretora do Departamento de Integração de Migrantes da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) afirmou que tem sido feito um esforço para resolver as situações pendentes. Salientou a criação de uma estrutura de missão criada no âmbito da AIMA para resolver processos do passado e destacou também as medidas de inclusão, sobretudo das novas gerações. “Portugal sempre teve a preocupação de integrar as primeiras e segundas gerações”, destacou Cristina Casas.

Ao longo do evento, foram também referidos os impactos da crescente presença de mulheres e crianças na comunidade, as dificuldades e oportunidades para os estudantes paquistaneses em Portugal e a necessidade de um maior envolvimento das organizações comunitárias na criação de soluções sustentáveis para a integração.

O encerramento do evento ficou a cargo de João Henriques, Presidente-Executivo do Observatório do Mundo Islâmico, que destacou a importância do diálogo intercultural e da colaboração entre instituições, sociedade civil e a comunidade paquistanesa para a construção de uma sociedade mais inclusiva.