BRICS+ e os desafios de um mundo multipolar em debate no Observatório do Mundo Islâmico

O Observatório do Mundo Islâmico (OMI) promoveu, no dia 14 de outubro, a conferência “BRICS+ num Mundo Multipolar: Poder, Cooperação e Conflito”, que reuniu cerca de 100 participantes, incluindo representantes diplomáticos de vários países, para debater o papel dos BRICS+ na atual ordem internacional.

Realizada no Salão Nobre Al-Muhaidib, da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL), com o apoio institucional desta entidade, a conferência contou com a presença de representantes das embaixadas do Iraque, Índia, Argélia, Rússia, Irão, Nigéria e Arábia Saudita.

O orador principal foi o Embaixador da Índia em Portugal, Puneet R. Kundal, representante do país que assume a presidência rotativa dos BRICS em 2026.

Na sua intervenção, o diplomata apresentou as prioridades da presidência indiana, sob o lema “Construir para a Resiliência, a Inovação, a Cooperação e a Sustentabilidade”, e destacou a necessidade de reformar as instituições internacionais, nomeadamente a Organização das Nações Unidas (ONU), em particular o Conselho de Segurança, e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Puneet R. Kundal sublinhou que os BRICS se apresentam como um ator de reforma da ordem internacional, não necessariamente como um bloco anti-Ocidente. Defendeu ainda que o principal desafio reside no desfasamento entre a atual arquitetura institucional e as realidades políticas, demográficas e económicas do século XXI.

Após as intervenções dos representantes diplomáticos de Estados-membros dos BRICS, seguiu-se um segundo painel, que reuniu a Professora Cátia Miriam Costa, o General Tiago Vasconcelos, a Professora Sandra Balão, Secretária-Geral do OMI, e o economista João Abel de Freitas.

O debate destacou o peso demográfico, económico e político dos BRICS+ e o seu papel num sistema internacional considerado desajustado face às atuais realidades.

A conferência permitiu identificar os BRICS+ como uma plataforma aberta e multilateral, que procura dar voz ao Sul Global, promover o desenvolvimento e ampliar as opções disponíveis para os Estados.