Uma comunidade discreta, trabalhadora e respeitada. Assim descreveu o Embaixador do Paquistão em Portugal, Muhammad Khalid Ejaz, a presença paquistanesa no nosso país durante a conferência internacional “A Integração da Comunidade Paquistanesa no Ocidente – O Caso de Portugal”, realizada no dia 15 de maio na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Organizada pela Liga de Estudos Asiáticos da Faculdade de Letras e pelo Observatório do Mundo Islâmico, a iniciativa reuniu representantes da comunidade paquistanesa, diplomatas, académicos e estudantes num amplo debate sobre os desafios e as oportunidades da integração.
Na sessão de abertura, o Diretor da Faculdade de Letras, Professor Hermenegildo Fernandes, sublinhou a ligação histórica da instituição aos estudos asiáticos, destacando que “a ligação é óbvia”, mas reconhecendo que há ainda um longo caminho a percorrer na área académica. O compromisso com o aprofundamento do conhecimento sobre o Islão e o reforço das ligações com a comunidade paquistanesa foi reafirmado.
João Henriques, Presidente-Executivo do Observatório do Mundo Islâmico, destacou a importância de envolver as comunidades locais nos programas de acolhimento e de criação de pontes culturais.

Integração e diálogo
No primeiro painel, o Embaixador Muhammad Khalid Ejaz deu a conhecer o retrato atual da comunidade paquistanesa em Portugal, estimando em cerca de 35 mil os cidadãos residentes, entre trabalhadores, famílias e estudantes. Enfatizou a contribuição económica e social desta comunidade, “que mostra respeito e disciplina, trabalha arduamente e envia dinheiro para casa. Ao mesmo tempo, quer contribuir para Portugal”. Destacou ainda a importância de projetos como o Lisbon Project e apelou à manutenção de um diálogo constante com instituições locais: “O diálogo é a chave.”
Vasco Malta, chefe de Missão da OIM em Portugal, reforçou que a comunidade paquistanesa é uma das que mais cresce no país, integrando sobretudo indivíduos em idade activa. Apontou como principais desafios o acesso à habitação, à educação, à saúde e ao ensino da língua portuguesa, lembrando que “as palavras de ordem têm de ser diálogo, confiança e parceria”.
O Professor Umer Burki, residente na Noruega, abordou o processo de integração como um percurso complexo, com várias fases emocionais e sociais, e apontou a língua como o principal obstáculo. Sublinhou ainda a importância de valorizar os exemplos positivos: “Há sempre desafios, mas devemos olhar para o lado bom”.
Dar voz à experiência
O segundo painel deu voz a membros da comunidade paquistanesa, residentes em Portugal ou ligados à diáspora. Saima Khan, a partir de Lahore, destacou a importância de estudar e compreender os processos de integração. Já Muhammad Saad Khalid, da Austrália, sublinhou a importância da aprendizagem da língua portuguesa pelas novas gerações.
Por sua vez, Urooj Asghar partilhou a sua experiência de integração familiar e profissional e e Abdul Rehman apresentou o trabalho da Associação de Estudantes Paquistaneses em Portugal, destacando o papel das redes de apoio e comunicação.
A sessão de encerramento ficou a cargo do Professor Pedro Laje, que reafirmou a importância dos Estudos Asiáticos e do conhecimento sobre a diversidade do mundo islâmico.
O Observatório do Mundo Islâmico agradece à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em especial ao Professor Hermenegildo Fernandes, pelo acolhimento, bem como à Liga de Estudos Asiáticos, pela coorganização desta conferência. A participação ativa dos vários intervenientes e a pluralidade de vozes presentes tornaram este encontro um contributo valioso para o debate sobre a integração das comunidades imigrantes em Portugal e no Ocidente.