“Temos de esclarecer, criar pontes, eliminar este veneno”: João Henriques alerta para os perigos da islamofobia em entrevista ao DN

Em entrevista publicada no Diário de Notícias, João Henriques, presidente executivo do Observatório do Mundo Islâmico, traçou um retrato aprofundado das comunidades muçulmanas em Portugal, alertando para a crescente estigmatização e para o impacto de discursos de ódio na opinião pública.

“Temos é de esclarecer, criar pontes. (…) Tem de se desmontar, de se eliminar este veneno que está a ser alimentado”, disse na entrevista publicada no passado dia 7 de junho,  destacando  que a presença muçulmana em Portugal remonta à independência das ex-colónias, com comunidades que se integraram sem gerar tensão social. No entanto, sublinha que a chegada mais recente de migrantes de natureza económica vindos do Paquistão, Bangladesh, Índia ou Nepal trouxe maior diversidade e também novos desafios.

“A Rua do Benformoso ou o Martim Moniz são alvo de estigmatização, mas não há ali nada que não exista noutros bairros de grandes cidades do mundo.”

O investigador denuncia a instrumentalização de episódios pontuais de conflito, alertando para a retórica promovida por setores da extrema-direita: “Grande parte dessa aversão, desse sentimento islamofóbico, é importado do Norte da Europa. E essas modas foram entrando, foi alimentada a retórica, sempre no sentido da segurança, a retórica de que vinham roubar os nossos empregos, para violar as nossas mulheres, para beneficiar do nosso Estado Social, que vinham para criar insegurança.”

Sobre a convivência entre culturas e religiões, o presidente do Observatório defende o respeito mútuo num Estado laico como Portugal e que a a integração se faça da interação cada vez maior entre as instituições e as comunidades que estão no terreno. Nesse sentido, apela à responsabilidade dos políticos, que deve estabelecer parcerias com as diferentes instituições que estão orientadas para a ajuda e para o acolhimento.

Da parte do Observatório do Mundo Islâmico, João Henriques reafirma o compromisso com a promoção do diálogo intercultural e convida as instituições públicas e a sociedade civil a juntarem-se a este esforço de esclarecimento, integração e respeito mútuo.